Blog da turma de Laboratório de história II da Unicamp, ministrada pela Prof. Dra. Cristina Meneguello
sábado, 17 de dezembro de 2011
Comentários aos Trabalhos Finais
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Exposição em SP
Quem estiver por SP, acho que este pode ser um ótimo programa!
Abraços
sábado, 3 de dezembro de 2011
Praga e as câmeras de filmar
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Postagem 3
E se pensarmos o cinema atuando não de forma direta, com filmes com objetivos políticos evidentes, como vimos nas postagens anteriores, mas como uma forma de difundir modos de pensar, usos, costumes, moda, comportamento sexual, padrões de beleza específicos aliados à propaganda e ao consumo?
Aí entramos em uma discussão fascinante que tem a ver com os conceitos de star-system (sistema do estrelato) e studio-system (sistema de estúdios) conforme foram desenvolvidos por Edgar Morin no livro As Estrelas de Cinema. No sistema de estrelato e no sistema de estúdio, desenvolvido pelos estúdios de Hollywood a partir da década de 1930, as estrelas de cinema (homens ou mulheres) são produzidos para atender aos desejos mais profundos e, segundo Morin, mais recalcados dos espectadores. Criando tipos que se repetem filme após filme (boa esposa, mulher má e sedutora, homem protetor e heróico, vilão, amiga da mocinha, amigo do mocinho etc etc), este sistema nos lembra o tempo todo que a estrela de cinema é ao mesmo tempo imaterial e real, pois produz comportamentos e expectativas – e consumo – nas massas que têm no cinema o seu mais importante lazer, especialmente nas décadas de 1940 e 1950.
Escrevi bastante sobre isso no meu livro Poeira de Estrelas, que saiu pela Editora da Unicamp – pra quem tiver curiosidade de ver.
Nesta postagem, queria abordar a idéia de um cinema de sonho e fantasia, de exagero e romantismo exacerbado: o cinema explorado pelo gênero dos musicais.
Se a questão é falar de exagero...basta olhar as cenas dos filmes de Esther Williams, que fazia suas performances...nadando! Hoje as cenas e os cenários nos parecem risíveis, mas elas são a marca do exagero quase carnavalesco que habitou o imaginário naquele momento. O conjunto de cenas foi tirado de um documentário chamado That´s Entertainment, que na década de 1970 celebrou o cinema hollywoodiano clássico. Aguentem até o fim!
http://www.youtube.com/watch?v=9jUjhrDhFuM
Mas vamos falar de boa música e de boa dança?
Deixo aqui para vocês algumas cenas que considero fantásticas, espero que vocês assistam a todas:
Começo por um classicão, o cantor e dançarino Fred Astaire – que tinha um estilo todo sofisticado e gentleman de se vestir, cantar e dançar. Sua parceira mais famosa foi a loira Ginger Rogers...aqui eles dançam Night and Day, belíssima canção de Cole Porter, do filme A Alegre Divorciada (The Gay Divorcee, de 1934).
Estamos na Grande Depressão...e ainda falando em divórcio? Vejam que bonito.
http://www.youtube.com/watch?v=YV5e7mWcQJE
Já nesta cena Fred Astaire dança Puttin´ on the Ritz (canção linda de 1929 que ele dança aqui no filme Blue Skies de 1946 – esqueci como traduziram este filme pro português, alguém sabe?)
http://www.youtube.com/watch?v=ibVLswVdStw&feature=related
Ainda dele, a famosa cena de uma dança pelo teto em Núpcias Reais (Royal Wedding, 1951). Eu era criança a primeira vez que assisti, pois passava na TV de tarde, e fiquei extasiada e, adivinhem...estamos em 2011 e ainda dá para a gente ficar imaginando como a cena foi feita...
http://www.youtube.com/watch?v=Y8n7WQIXQDs
E com a dançarina das pernas mais longas do cinema, Cyd Charisse, em The Band Wagon (1953), em uma dança mais “sexy” e em uma mais romântica.
Reparem que a forma como o corpo dos casais se entrelaçavam era uma espécie de balé erótico, que fascinava as platéias que dava asas a imaginar aquilo que a censura não permitia representar (afinal, estava em vigor o Código Hays de censura).
http://www.youtube.com/watch?v=yuJxYmJlEHY
e
http://www.youtube.com/watch?v=duLFwcsc6Nc&feature=related
Reparem também que este pessoal que faz curso de dança de salão e atormenta as festas de casamento alheias não sabe nada da vida...
Continuando: quero também falar do meu ator-dançarino preferido, Gene Kelly.
Esta cena vocês já devem ter assistido alguma vez, mas picadinha, espremida em algum especial sobre cinema. Vale a pena assisti-la toda. É de Cantando na Chuva (Singin´in the Rain, de 1952), um filme fantástico sobre a história da passagem do cinema mudo para o cinema falado (é, Hollywood é muito auto-referenciada e adora falar de si mesma)
http://www.youtube.com/watch?v=rmCpOKtN8ME
Gene Kelly em Dançando nas Nuvens, de 1955 (It´s Always Fair Weather)....Notem, em contraponto ao estilo de Astaire, que Gene Kelly dança de um jeito mais divertido e mais viril, uma dança menos sofisticada e mais baseada em equilíbrio e força física.
http://www.youtube.com/watch?v=Aus1PA5-SyI&feature=fvsr
E num dueto com o excelente e subestimado Donald O´Connor na canção "Moses Supposes", também de Cantando na Chuva, quando têm que aprender a falar com dicção, já que o cinema tornara-se sonoro.
http://www.youtube.com/watch?v=tciT9bmCMq8
Aliás, vejam um número solo de Donald O´Connor no mesmo filme (nesta eu quero que vocês reparem que o pessoal que faz dança de rua também sabe nada da vida....)
http://www.youtube.com/watch?v=FW02c5UNGl0
Quero me despedir de vocês com essa. Reparem a suavidade com que Fred e Ginger dançam a Smoke Gets in your Eyes, que dá nome a nosso blog. É do filme Roberta, de 1935.
http://www.youtube.com/watch?v=OMOBdQykKQY
Em tempo! Fellini fez um belíssimo filme referindo-se ao casal Fred Astaire e Ginger Rogers, interpretados respectivamente pelos grandes atores Marcelo Mastroiani e Giuletta Masina.O filme chama-se Ginger e Fred (1986) e mostra a decadência daquele cinema ( e romantismo) sendo predados pela TV. Vale muitíssimo a pena, mas para sentir, tem que assistir uns belos musicais hollywoodianos antes - ou pelo menos os trechos que trouxe aqui pra vocês...
Até.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Postagem 2
Continuando...
E em que tipo de cinema pensava Walter Benjamin, como contraponto ao cinema da estética nazista ou o cinema de entretenimento de massas de um Chaplin ou de um camundongo Mickey, quando finaliza seu texto apontando para um cinema com capacidade de transformação social e política? Seguramente, referia-se ao cinema soviético como o de Serguei Eisenstein (1898-1948), que realizou filmes de grande impacto estético tais como A Greve (1924), O Encouraçado Potemkin (1925) ou Outubro (1928).
Falamos assim de um cinema que ficou conhecido na clássica história do cinema como cinema construtivista, no qual imperava a técnica da montagem, feita a partir de diferentes planos, focos e sentidos. Há muitos expoentes deste cinema, que se alinhava à revolução estética russa das primeiras décadas do século XX, sendo os mais conhecidos Dziga Vertov (1896-1954) e o próprio Eisenstein. Vertov fundou o movimento cine-olho e a revista Kino-Pravda (cinema-verdade) mostrando que a imagem era fabricada, criada pela interferência do diretor, dos técnicos, da iluminação etc. A imagem não era, assim, a documentação de uma realidade única. Eisenstein defendia o mesmo ponto de vista.
Permitam-me um parágrafo sobre o conceito de montagem tal qual Eisenstein o concebeu: para ele, os planos funcionavam como unidades autônomas, como “células” que, uma vez animadas por um princípio, passam a ter efeitos sobre o espectador, como se fossem choques. Eisenstein havia trabalhado com teatro e tinha um fascínio especial pelo teatro oriental kabuki, assim como pela poesia haiku (os haikais, poesias de três linhas). Em um de seus textos sobre cinema, Eisenstein dá o exemplo do seguinte haikai:
Um corvo solitário
sobre um galho desfolhado
numa noite outonal
e sobre isso comenta que cada frase do poema pode ser considerada em si uma “atração” (como se fosse uma atração de circo), e que a combinação das frases equivale à montagem. Cada verso colide com o próximo, e o efeito unificado quem realiza é a mente. Por isso, por exemplo, no filme A Greve, Eisenstein justapõe imagens como o rosto de um homem, uma raposa, uma multidão, um touro sendo morto. Parece não fazer sentido, mas cada imagem produz um forte estímulo e a mente cria as ligações.
[para quem quiser saber mais sobre o assunto, recomendo ler o próprio Einsenstein A forma do filme, Jorge Zahar, 2002; ou algum estudo sobre ele, como Eisenstein e O Construtivismo Russo de François Albera (Cosac & Naify, 2002]
Voltando ao nosso assunto: deixo aqui uma cena célebre (talvez a mais célebre) do filme Encouraçado Potemkin. Sugiro que vocês assistam e só depois leiam a continuação do post.
http://www.youtube.com/watch?v=LDKKN-KILIY
Vamos lá: O Encouraçado Potemkin foi realizado para comemorar os 20 anos do levante de 1905, precursor da revolução de 1917. O filme, dividido em cinco partes, narra o motim ou revolta da tripulação do navio Potemkin no porto de Odessa. A população apóia a revolta e é massacrada pelas tropas czaristas (a parte que vocês assistiram). O processo é visto como a semente da revolução bolchevique; não há heróis individuais, mas tipos com rostos marcantes, que não eram artistas profissionais.
Observem que no trecho assistido (conhecido como a escadaria de Odessa), a mesma ação é repetida várias vezes, o que aumenta a sua intensidade. A sombra opressora das pernas e botas dos soldados czaristas se estendem pelos degraus; as faces aterrorizadas da mãe do bebê e da velha que tem o olho atingido pela bala são imagens de horror, que ficam associadas ao regime czarista. Assistam mais uma vez a seqüência para observá-la agora após estes comentários.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Postagem 1
1.
(cochichando): No texto “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica” de 1936, Walter Benjamin (1892-1940) (erguendo a voz) estabelece um debate sobre a questão estética trazida pelo cinema, relacionada à crise radical do sistema tradicional das artes. Neste texto, aborda a perda da aura (pois as técnicas de reprodução ao mesmo tempo em que tornam os objetos mais acessíveis nos afastam do autêntico e da esfera da tradição). As massas podem não possuir o objeto, mas possuem a sua imagem. E, conforme estabelece, o agente mais poderoso deste processo é o cinema, que, como ele observa no caso do cinema fascista, funda-se numa percepção distraída e coletiva do público.
Assim, nesta postagem 1, vamos assistir o trecho inicial de Triunfo da Vontade, documentário realizado pela cineasta Leni Riefenstahl “retratando” a Convenção do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei ou NSDAP), ou, para sermos claros, a Convenção do Partido Nazista no ano de 1934 na cidade de Nuremberg. O filme estreou em 1935. Documentário, propaganda política, manipulação das massas pelas imagens: todas estas palavras se aplicam a esta obra perturbadora. Benjamin chamou este uso da imagem de “estetização da política”.
Vou deixar aqui o trecho inicial. O restante, vocês encontram pela internet também. Reparem ao longo do documentário toda a construção ritualística dos símbolos nazistas, o uso das multidões e como a câmera sempre projeta Hitler, que interpreta a si mesmo, ao alto, rodeado e saudado pelas massas, e como grande líder.
http://www.youtube.com/watch?v=j1HBl87IBe0
Sobre este filme, Luiz Nazário, um estudioso de cinema do qual vocês encontrarão vários livros, comentou:
“A câmara apanha, em angulações estáticas e simétricas, as insígnias das tropas formadas por gigantescos blocos. Em tomadas de baixo, ascendendo pelos mastros das bandeiras, sublinha as dimensões colossais do congresso. Travellings ao longo das formações militares acentuam a rigorosa ordem. Só, Hitler percorre o longo espaço vazio entre as formações do exército. Elevado acima deles à altura de uma casa, domina o mabiente desde o palanque. Não é mais possível distinguir se a câmara apanhou uma parada militar real ou se tudo foi apenas encenado para ela. O verdadeiro congresso do partido realizou-se comente no cinema: o filme criou o congresso”
( retirado do livro de Luiz Nazário - De Caligari a Lili Marlene. São Paulo, Graal, 1983, p. 51)
E sobre o primeiro trecho do filme, que indico aqui para assistirmos, deixo o comentário de historiador Alcir Lenharo, que foi docente da Unicamp (e meu orientador de mestrado) e que deixou, entre outros, um notável pequeno livro cuja leitura atenta recomendo a todos vocês, intitulado “Nazismo, o triunfo da vontade”, lançado pela Ática em 1986.
“Nas primeiras seqüências de O Triunfo da Vontade, Hitler chega de avião como um esperado Messias. O bimotor plaina sobre as nuvens que se abrem à medida que ele desce sobre a cidade. A propósito dessa cena, a cineasta escreveria: “O sol desapareceu atrás das nuvens. Mas quando o Führer chega, os raios de sol cortam o céu, o céu hitleriano”. Pelas imagens mágicas e aliciantes de Riefenstahl, o Führer se porta como um demagogo/pedagogo que, feliz, conduz as massas para onde desejar.”
(Alcir Lenharo, Nazismo o Triunfo da Vontade, São Paulo: Ática, 1986, p. 60).
Abraço e até a próxima postagem...aguardo vossos comentários.
Cinema, imagem e poder
Classe querida
Vou realizar uma série de postagens aqui em nosso blog, relacionadas aos temas que temos estudado. Mas, em respeito à mobilização dos estudantes (que, posso dizer com tranqüilidade, considero justa e coerente) e dados os últimos sérios acontecimentos vividos pelo movimento estudantil, pensei em trazer reflexões sobre a questão do cinema, da imagem e do poder, abordando temas como censura (política e moral) e a relação imagens e mídia entendida como manipulação.
Não são aulas, nem textos meus ultra elaborados. São para mim uma forma de continuarmos em contato ao longo dos próximos dias e de utilizarmos as nossas reflexões sobre a imagem dentre de nossa realidade imediata.
Por favor sintam-se à vontade para usar o espaço dos comentários ou novas postagens.
Cristina.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
This Film Is Not Yet Rated
estou aqui para mostrar um documentário que assisti recentemente. "This Film Is Not Yet Rated" é de 2006 e foi dirigido por Kirby Dick. Basicamente, esse filme discute e questiona a política utilizada pela Motion Picture Association of America (MPAA - http://pt.wikipedia.org/wiki/Motion_Picture_Association_of_America) para a classificação etária dos filmes americanos e como isso afeta a cultura dos EUA. É interessante pois nos força a pensar o porquê de um filme receber a classificação NC-17 e outro receber um R, por exemplo. Para melhor entendermos:
* Os filme são classificados em 5 categorias: G(eneral), P(arental)G(uidance), PG-13, R(estricted), N(o)C(hildren)-17.
* G: todas as idades são permitidas. Equivale a nossa classificação Livre;
* PG: merece atenção dos pais. Algumas cenas podem não ser adequadas para crianças;
* PG-13: não recomendado para menores de 13 anos;
* R: menores de 17 anos dever ser acompanhados dos pais ou responsáveis;
* NC-17: proibido para menores de 17 anos.
Entre as discussões a cerca dessa classificação, o diretor questiona: por que alguns filmes com cenas de sexo heterossexual recebem classificação R e outros com cenas sexuais homossexuais recebem NC-17? Por que cenas que mostram uma mulher tendo prazer em determinada situação são mais censuradas do que quando são homens (ele mostra o exemplo do filme American Pie, que recebeu R, e do filme Meninos Não Choram, que recebeu NC-17)? Além disso, ele mostra como os filmes com forte apelo a violência são mais aceitos que os com apelo sexual.
E ao final fica evidente como um falso moralismo americano está muito presente na sociedade e como a mídia é uma enorme ferramenta de disseminação.
http://en.wikipedia.org/wiki/This_Film_Is_Not_Yet_Rated
Até mais!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Para dar uma de "artista"

domingo, 23 de outubro de 2011
Benjamin na quinta
sábado, 22 de outubro de 2011
INDICAÇÕES PARA O TRABALHO FINAL
Trabalho final:
(a ser entregue em 24 de novembro)
O trabalho final será realizado com base em uma fotografia de família. Deve-se escolher uma foto dentre várias (um recorte em uma série). A foto deve ter sido tirada antes mesmo de vocês nascerem, ou então quando vocês eram ainda bebês e não tinham consciência de que a foto estava sendo tirada.
O trabalho divide-se em três partes:
1ª parte: fotografia como objeto
- Descrição física da fotografia escolhida.
Dimensões da foto, papel usado, máquina fotográfica utilizada, estado de conservação (se está amarelada, amassada, desbotada, se tem rasgos ou marcas etc.), se é colorida ou preta e branca etc.
2ª parte: Studium
- Narração da fotografia escolhida. Fingindo que o leitor de seu trabalho final não pode enxergar a imagem, descrever a cena: quem está sendo fotografado (personagens), o que estão fazendo, como estão vestidos, seus gestos.
Além disso, deve-se narrar quem tirou a foto, por que tirou, onde tirou, o que estavam fazendo os referentes da foto (por exemplo se era um data comemorativa) etc.
- Para estas informações deve ser feito um trabalho de "história oral", de conversa com familiares, para obter as informações sobre a foto.
- Pode-se trabalhar com fotos espontâneas, ou então posadas propositalmente (por exemplo, para um casamento). As espontâneas costumam “render mais”. Procurem uma foto que fuja do glamour (é desejável que não seja foto alterada posteriormente, ou perfeita demais).
3ª parte: Em busca do Punctum
- Escrever sobre o que lhe toca na foto. Qual o detalhe da foto que punge? Toda foto tem uma história, e é sobre essa história e sobre sua escolha que vocês devem discorrer aqui.
- É uma parte mais pessoal, onde pode-se descrever sensações, os motivos de escolha da foto dentre outras, as impressões que ela suscita.
Importante: Incluir uma cópia da foto no trabalho. Por favor não inclua o original.
O trabalho pode ser digitado ou escrito a mão.
Não há número de páginas pré-determinado.
Bom trabalho a todos.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Cristiano Mascaro.
Cristiano Alckmin Mascaro (Catanduva SP 1944). Fotógrafo, arquiteto e professor. Formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, é um dos mais importantes fotógrafos da capital paulista e de sua arquitetura, que documenta sistematicamente há mais de duas décadas.
Quintais, muros baixos, calçadas acidentadas, árvores, carros estacionados, rua asfaltada e de paralelepípedo; não há nada magistral na imagem, ela é simples, porém, contém uma profundidade estética e um silêncio imaginativo. Outro detalhe da imagem se dá pelo alinhamento que a ela possui. Os carros estão enfileirados, bem como as árvores, os muros e o asfalto - todos os elementos da foto são paralelos, a partir da guia da calçada (que se vê horizontal).
Festival Hercule Florence
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Festim Diabólico
Olá pessoal!
Seguindo o tema de nossa última aula, eu queria mostrar um filme bastante famoso, mas que mostra o uso das câmeras e cortes na filmagem de um modo peculiar.
O filme se chama "Festim Diabólico" de Alfred Hitchcock. Foi filmado em 1948 e o diretor quis fazer algo ousado e radical na época: uso do tempo real no cinema. A história é baseada em uma peça de teatro e foi feito o filme dessa forma. Basicamente um único cenário onde não há cortes nas cenas. A câmera acompanha as pessoas andando pela sala sempre no mesmo ângulo. Os únicos cortes que aparecem são devidos a uma limitação técnica daquele período. Os rolos de filmes só conseguiam filmar 10 minutos.
Para driblar isso, Hitchcock faz os cortes no momento em que fica escuro na frente da câmera. Assim, ele geralmente foca nas costas de alguém, ou na parede, ou em algum outro lugar, para corta a cena. Entretanto, o tempo não se perde, pois as cenas foram construídas de forma que o público não perceba os cortes e não perca a linha do tempo.
Assim diz Hitchcock:
“A peça teatral desenrolava-se ao mesmo tempo que a ação; esta era contínua, desde o levantar até o baixar do pano. Eu fiz a mim mesmo a seguinte pergunta: como posso rodá-lo de maneira semelhante? A resposta era evidente: a técnica do filme seria igualmente contínua e não haveria nenhuma interrupção no decorrer de uma história que começa às 19:30 e termina às 21:45. Então ocorreu-me a ideia louca de fazer um filme que constasse de um único plano. Atualmente, quando penso nisso me dou conta de que era completamente estúpido, porque rompia com as minhas traições e renegava as minhas teorias sobre a fragmentação do filme e as possibilidades da montagem para contar visualmente uma história”.
Segue uma cena onde podemos ver que em 3:30 temos o corte; mas em nenhum momento a câmera sai do ângulo, sempre acompanhando as pessoas.
Um outro olhar sobre o 11 de setembro

Em setembro deste ano, no jornal The Guardian, um artigo trouxe de novo à baila a controversa foto de Thomas Hoepker sobre jovens aparentemente conversando tranquilamente enquanto milhares de pessoas morriam nas Torres Gêmeas em Nova York. Oculta por muitos anos, por decisão do fotógrafo, e apenas divulgada muitos anos depois do 11 de setembro (que já completou uma década), o debate sobre a imagem oscilou entre os comentários gerais da falta de consciência dos jovens americanos aos protestos dos fotografados, que disseram que estavam conversando para superar o estado de choque em que se encontravam e que foram fotografados sem permissão.
