quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Manisfestação Intervencionista




Carlo Carrà (1881-1966)

Manisfestação Intervencionista (1914)

Coleção Particular

Estaria Carrá vivendo um momento de Álvaro de Campos ( um dos heterónimos de Fernando Pessoa) na elaboração dessa obra? A resposta seria como este ambígua, pois como definir aquilo que se apreende como sendo "um" em mil possíveis?
Os fatos que me chamaram a atenção na obra foram especificamente três : o primeiro (de certa forma uma irregularidade) a construção das colagens, nota-se que são postas de diversas formas as mesmas palavras e mensagens. A imprecisão do artista e a sua não metrificação das formas é significativa e valiosa, pois representa um sentimento de livre e espontânea criação.
Segundo fator: as próprias mensagens, "italiana", "sports", "strada"...até uma partitura (não literalmente escrita, mas representada está presente; lado superior à esquerda). O que significa isto? Muitas coisas evidentemente, porém penso que Carrá estaria querendo demonstrar um pouco o que estava acontecendo em seu país ao longo de um determinado período, qual seja, a lógica de que os países ricos estariam encarregados de disseminar as modernidades para outras nações menos afortunadas. Mas, com pressuspostos totalmente sem pertinência e congruências.
Terceiro: como o próprio diz: "...Nós, futuristas, destruindo a unidade de tempo e lugar, trazemos à pintura uma integração de sensações que é a síntese do plástico universal"... penso que não há palavras suficientes para descrever uma obra de arte, porém como diz Álvaro de Campos em um de seus poemas: "...Que abjecção esta regularidade ! Que sono este ser assim ! Carrà, penso, nutriu-se de irregularidade para compor a obra e com isso descompor nossa interpretação.Assim, fez desta obra um expressão máxima da ausência de unidade de tempo e lugar.


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