Francisco Rebolo Gonsales, Paisagem com Figuras, 1942, MAC-USP, Doação Francisco Matarazzo Sobrinho.
Ao olhar para o quadro de Gonsales, percebe-se, de imediato, que as linhas que determinam os contornos das figuras fazem com que estas não possuam uma forma nítida – o que traz à memória quadros de Van Gogh e outros impressionistas. Além disso, observa-se também a interposição de alguns elementos da paisagem: os pinheiros ao céu, entre si mesmos e também as cores destes – eles parecem estar se “misturando”. Dessa forma, os pinheiros aparentam ser uma extensão da grama e o azulado do céu a união deste com os pinheiros e a árvore à direita. A primeira característica citada – os contornos não definidos das figuras – confere ao quadro certo mistério, visto que o observador não consegue enxergar com precisão as expressões das três mulheres ao centro, como é fisicamente a criança ao lado destas figuras femininas e quais são as peculiaridades da paisagem retratada. Surgem, portanto, as seguintes perguntas: quem são aquelas mulheres? O que está fazendo aquela criança? Que lugar é esse? Assim, o quadro mais esconde do que revela, o que, consequentemente, cria uma sensação de incerteza no observador sobre o que está sendo retratado – somente é possível ter uma impressão superficial a respeito da paisagem. Por outro lado, o quadro ainda transmite uma sensação de tranquilidade, fruto da luminosidade que reveste a paisagem ao ar livre. Diante disso, percebe-se que o autor compõe uma paisagem complexa, que engloba diferentes sensações, tornando-se o oposto do óbvio – o que me fez escolher este quadro para ser comentado aqui.
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